Repensando tudo o que vivemos durante o período da pandemia, senti a necessidade de fazer profundas reflexões, de fazer um balanço da minha vida, da realidade do país e até do sentido da própria existência. Foi um tempo que nos obrigou a desacelerar e a encarar, com mais honestidade, aquilo que muitas vezes ignorávamos na correria do dia a dia. Entre incertezas e silêncios, surgiram questionamentos, aprendizados e uma nova forma de enxergar a vida, porque
O MUNDO PAROU...
Fonte: https://br.vexels.com/vetores/previsualizar/192973/desenhos-animados-do-planet-earth-coronavirus.
Não é possível que as voltas do mundo nos deixem tão tontos assim: um
dia lá outro já aqui.
Não sabemos o futuro, mas podemos conjeturar, de toda forma, a beleza
está nas surpresas que possa trazer e nos surpreender: negativa ou
positivamente. Nisso reside a vida, trazer coisas novas, rememorar coisas
antigas e fazer perspectivas de futuros, isso tudo nos mostrar nossa pequenez
diante de um Deus onisciente, onipresente e onipotente.
Nunca pensei que o mundo não pararia, mas ele parou... Tudo ficou estranho
e indefinível...
Fui levada a fazer uma espécie de balanço silencioso da vida. Como quem
organiza gavetas antigas, revisitei sentimentos, prioridades e até certezas que
antes pareciam inabaláveis. A pressa do cotidiano deu lugar a um tempo mais
lento – às vezes angustiante, às vezes necessário. Isso nos obrigou a encarar a
nós mesmos sem distrações.
Olhei para a minha própria trajetória e percebi quantas coisas eu
adiava, quantas palavras deixavam de ser ditas e quantos gestos simples eram
negligenciados. Essa parada do mundo foi algo sobrenatural, fazendo com que entendêssemos
a fragilidade da vida, mas também revelou sua beleza nas pequenas coisas: no
cuidado, na presença, na esperança...
Ao mesmo tempo, pensar na situação do país despertou uma mistura de
sentimentos: inquietação, tristeza, mas também um desejo profundo de mudança.
Ficou evidente que não somos apenas indivíduos isolados, muito menos números...
Somos sim parte de um todo que sofre, que resiste e que precisa, urgentemente,
de mais empatia e de mais responsabilidade coletiva.
O que realmente importa? O que permanece quando tudo o mais é
interrompido? Descobri que, no fim, são os vínculos, a fé, o amor e a
capacidade de recomeçar que sustentam a vida. A pandemia foi, sem dúvida, um
tempo de dor e de perdas, porém, foi um duro e necessário convite a repensar
caminhos, ressignificar prioridades e aprender que viver vai muito além de
simplesmente existir – viver é reconhecer o valor de cada dia e a oportunidade
constante de ser melhor, para si e para o outro.
