Analisando a história de Jesus, fiquei imaginando
as relações das pessoas com seu povo. Cristo foi morto pelos romanos a pedido
do Seu próprio povo... E vejo como o extremismo fez das pessoas adversárias e
como é danoso
Há um silêncio estranho quando um
povo se torna inimigo de si mesmo. Não é o silêncio da paz, mas o da
desistência – aquele que ecoa nas palavras duras, nos olhares desconfiados e
nas mãos que, ao invés de se entrelaçarem, apontam.
É como se, aos poucos, fôssemos nos
esquecendo de que pertencemos uns aos outros. Construímos muros invisíveis,
alimentamos rivalidades, transformamos diferenças em armas, travando batalhas e
ferindo o que deveria ser cuidado.
Há uma dor silenciosa em competir
com quem caminha ao nosso lado, pelo fato de discordar de mim. A pluriversidade
não é considerado, o respeito é perdido e só resta julgamos sob uma ótica que
só a mim favorece; porém, não há vitória possível quando lutamos contra nós
mesmos...
Um povo dividido carrega rachaduras
na alma que surgem não de grandes guerras, mas das pequenas escolhas diárias: a
palavra que fere, o julgamento apressado, a indiferença disfarçada de razão...
Seria bom se da mesma forma que
aprendemos a ferir, pudéssemos reaprender a cuidar e, assim, ao invés de criar
muros, reconstruirmos pontes de acesso ao respeito, à tolerância, à justiça, à coerência...
procurando reconhecer no outro não um rival, mas o reflexo de nós.
Se entendermos essa lógica, o
silêncio deixe de ser peso e passa a ser paz.

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