Ao refletir sobre certas atitudes, fico observando o
quanto somos rudes e o quanto precisamos aprender com as crianças; elas têm seu
coração puro e não se deixam levar pelo ódio. Quanto a nós, adultos, somos
muito
DUROS DE CORAÇÃO...
Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um
espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de
carne (Ezequiel 36.26).
O nosso do dia a dia é repleto de lições. Às vezes observando as pessoas
e percebo o quanto, muitas vezes, tornamo-nos rudes sem mesmo percebermos. Deve
ser a pressa, as preocupações e/ou o acúmulo de demandas e de responsabilidades
que vão, pouco a pouco, endurecendo um coração que nasceu para ser grato e
amoroso. Passamos a agir de forma automática, com palavras duras, olhares
impacientes e gestos que, em vez de acolher, afastam.
Já as crianças, nesse quesito, são nossas maiores mestras. Elas sentem
com intensidade, perdoam com facilidade e amam sem reservas. Não guardam mágoas,
não alimentam orgulho e não complicam o que é simples. Enquanto nós criamos
barreiras, elas constroem pontes com um sorriso.
Vi, certo dia, duas crianças brincando numa praça; de repente, uma delas
pega o brinquedo da outra sem pedir. Sua amiguinha chora e se entristece... O adulto
que estava com elas intervém e pede que o brinquedo seja devolvido. Mesmo com
os olhos marejados, a criança magoada, imediatamente sorri e, em poucos
minutos, as duas dividem o brinquedo: não há silêncio prolongado, não há
orgulho ferido sendo alimentado, nem desejo de “dar o troco”. A dor foi real,
mas não foi cultivada. O coração não se endureceu.
Nos versos de Ezequiel, o grande convite de Deus é este: que nos
deixemos permitir que Ele molde novamente o nosso coração, tornando-nos mais
leves, mais sensíveis e mais parecidos com o coração que tínhamos quando crianças
– não na sua imaturidade, mas na sua pureza, na sua sinceridade e na sua capacidade
de amar sem reservas.
Ser adulto não deveria significar perder a ternura, mas amadurecer com um coração transformado, porque no fim, não é a dureza que nos fortalece, mas a graça de um coração que ainda sabe amar, perdoar e recomeçar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário